Ampliando Possibilidades

Ampliando Possibilidades

Recentemente ministrei um curso para um público diferente daqueles que tive nos últimos dezessete anos. Tive a experiência de ministrar aulas para detentos do regime semi-aberto de uma penitenciária. Eram 16 alunos com perfis completamente diferentes: analfabetos, semi-analfabeto, ex-professor, ex-estudante universitário, etc. As aulas ocorreram dentro do próprio presídio em uma sala que veio de uma antiga “Escola de Lata”. A sala inteira era de lata e ficava muito quente no calor, e barulhenta e fria quando chovia.

Muitos me questionaram se eu fiquei com medo, se eu estava louco, por que eu tinha aceitado, e esse tipo de coisa. Minha resposta? Que eu queria ter essa experiência que nunca tive e que se tem alguém querendo aprender, eu quero ensinar.

Quando estava tendo reunião com o diretor do presídio, eu e os outro dois professores (dividimos o curso de 160 horas entre três professores) procuramos não saber quais eram os crimes cometidos pelos futuros alunos. Não queríamos entrar com nenhum tipo de pré-conceito antes de conhecê-los.

Um ponto que me chamou a atenção ao longo do curso foi a atenção desses alunos. Eles realmente prestavam atenção na aula e havia bastante interação com a sala. Eles absorviam todo o conteúdo de uma maneira extraordinária pois sempre falavam no final da aula tudo que haviam aprendido.

Outro ponto bem interessante foi a preocupação deles de deixar eu e os outros dois professores à vontade com eles. Eles foram extremamente receptivos e sempre nos passaram muita tranquilidade e segurança.

Algumas pessoas vieram me perguntar se eu realmente achava que iria “mudar” a cabeça dos alunos. Eu nunca tive essa pretensão. O que eu queria era apenas ampliar as possibilidades deles. O que eu sempre quis foi oferecer mais ferramentas para que esses alunos possam ter mais opções quando forem decidir algo. Eu quis apenas ampliar o território do mapa deles.

Não espero que eles passem a pensar de uma maneira diferente após o curso e que mudem suas vidas, isso é utopia. Eles já tem suas experiências de vida, suas crenças, seus valores, etc. O que eu queria era apenas a possibilidade de ajudá-los mostrando outros caminhos que eles podem querer levar em consideração, ou pelo menos começarem a pensar a respeito. Creio que valeu.

Grande abraço, atitude e sucesso!!!

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  1. Republicou isso em reblogador.

    • Valeria Leite
    • 12 de dezembro de 2014

    Olá professor Celso,
    Primeiro desejo-lhe um Feliz Natal e um Próspero Ano novo.
    O texto me fez refletir mais uma vez sobre educação. Um dia resolvi fazer um curso na IFET em que um dos temas falava sobre educação no presídio. Vejo que é uma grande oportunidade para as pessoas que tem tão pouco na vida, mas confesso que não são todos os Pedagogos que tem esse olhar.
    Para que um professor tenha essa experiencia é preciso primeiro ter coragem, pois já ouvi depoimentos de professores nessa área que não tiveram sucesso, embora seja um trabalho pedagógico gratificante. Porém, é uma área que precisa ser estudada por profissionais.

    • Celso Derisso Filho
    • 12 de dezembro de 2014

    Boa tarde Valéria, tudo bem?

    Obrigado pela sempre presença no blog.

    Realmente entrar em um presídio para dar aulas é um pouco tenso a princípio, mas é muito gratificante. O pouco que você consegue levar para eles significa muito. Foi uma experiência muito enriquecedora.

    Também te desejo um Feliz Natal, um ótimo 2015 repleto de saúde, alergias e muito sucesso!!

    Grande abraço!!!

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